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Assinatura de Gilberto Freyre
Artigos : Imprensa  



FLORESTAN: NÃO HÁ DEMOCRACIA NEM PARA BRANCO


Ao comentar as críticas feitas pelo sociólogo Gilberto Freyre aos que chamou de "sociólogos arcaicos-marxistas", o professor Florestan Fernandes disse ontem que "não existe sequer democracia para brancos poderosos, imagine-se para negros e mulatos". E acrescentou: - Ficaria muito alarmado se ele me elogiasse ou elogiasse o trabalho que se faz em São Paulo; quando ele nos critica nos homenageia.

Na sua exposição, no simpósio "Democracia e Política Social" quinta-feira em Brasília, Freyre disse existir no Brasil uma democracia social e racial e, com base no trabalho de Martin Gester, correspondente no Brasil do jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung", criticou a tese de Florestan Fernandes de que a sociedade brasileira seria uma sociedade de "brancos para brancos". Freyre (que não identificou nominalmente Florestan, preferindo chamá-lo de "talvez desvairado até mais marxista militante do que paulista conhecedor do Brasil todo") estendeu sua crítica aos sociólogos paulistas em geral, afirmando ser "um paradoxo que justamente em São Paulo floresçam sociólogos arcaico-marxistas". - As críticas dele são um elogio para o nosso trabalho. Criticar é um direito dele e não nos preocupa - disse Florestan ao tomar conhecimento dos ataques de Freyre.

Florestan gosta de falar sobre o assunto, que pesquisou exaustivamente. Mas não quis entrar em detalhes sobre as afirmações de Freyre "para não suscitar polêmica", uma vez que - em sua opinião - o sociólogo pernambucano estaria "apenas interessado em fazer provocações".



Fonte: FLORESTAN: Não há democracia nem para branco. O Globo. Rio de Janeiro, 29 out. 1977

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