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Assinatura de Gilberto Freyre
Artigos : Imprensa  



O PERNAMBUCANO QUE REPENSOU O BRASIL

Rodrigo Carrero

Gilberto Freyre foi um homem enigmático e surpreendente desde criança. Aos seis anos de idade, já embriagado pela beleza das ladeiras e casarões antigos de Olinda, resolveu fugir de casa e ir morar na antiga capital pernambucana. Dois anos depois, quando começou a estudar e aprender a ler, já não era mais tão apegado ao regionalismo: o primeiro livro completo que leu foi As Viagens de Gulliver, o famoso romance do irlandês Jonathan Swift, mas o fez na língua-mãe, o inglês. Freyre aprendeu a ler e escrever em inglês antes de tomar contato com o português. Era uma criança extraordinária, mas estranha.

Essa contradição o acompanhou durante toda a vida. Foi odiado pela esquerda brasileira por ter apoiado enfaticamente a ditadura, mas recusou o convite do general Castello Branco para comandar o Ministério da Educação, porque não achava que os militares estavam fazendo uma revolução verdadeira. Adorava discutir sobre mulheres e sexualidade, e admitiu abertamente ter tido experiências homossexuais.

"Se me perguntarem quem sou, direi que não sei classificar-me. Não sei definir-me. Sou um sensual e um místico. Conservador em umas coisas, revolucionário em outras. Sou um brasileiro de Pernambuco. Sou sedentário e ao mesmo tempo nômade. Gosto dos meus chinelos e gosto de viajar. Meu nome é Gilberto Freyre". Uma auto-definição, como quase tudo o que escreveu, perfeita.



Fonte: CARRERO, Rodrigo. O pernambucano que repensou o Brasil. Diario de Pernambuco. Recife, 15 de mar. 2000. Viver

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