SOBRE O BANHO
 "Com esta grande facilidade de assimilação, o português se apossou de valores não-europeus, tais como: formas de saudação, gestos, maneiras e vestuário. Este aspecto do comportamento do português foi considerado pelos ingleses na Índia como estranho e excêntrico. Não obstante, foi agindo deste modo que o português abriu o caminho para a já referida revolução européia do modo de vestir e par a higiene do homem moderno (...). Na América tropical o banho tornou-se uma característica da rotina do homem branco como já era dos aborígenes. Quando o ibérico chegou na América e descobriu o costume dos constantes banhos e abluções dos ameríndios, ele se adaptou a este costume muito facilmente porque no oriente o uso quase litúrgico da água pelos asiáticos provavelmente já o predispusera a este hábito. E ele popularizou o Ieque, os remédios tropicais, o peixe seco, o açúcar e a marmelada. Sem todas estas coisas e valores que os ibéricos – particularmente o português – trouxeram do oriente para a Europa, seria difícil imaginar a transformação da Europa medieval na civilização burguesa que se seguiu.
As bebidas, a pimenta, chá, café, chocolate, rum, aguardente, porcelana chinesa, mobília oriental, formas de arte oriental; estes estimulantes e confortos também causaram uma revolução que deveria ser o tema de um ensaio sociológico. Embora Veneza e os mouros precedessem os ibéricos. Estes últimos foram pioneiros na assimilação e difusão destas e de outras contribuições ultramarinas como parte de suas aventuras gustativas e sexuais nos trópicos. O francês. O inglês e o holandês foram igualmente diligentes no processo de popularização dos valores tropicais na Europa. Foi o ibérico, todavia, que abriu uma brecha na fortaleza do conservadorismo e imobilismo europeus, facilitando, assim, o fortalecimento de alguns daqueles valores."
Trecho de "Uma visão quase apologética
do comportamento hispânico ou
ibérico nos trópicos".
|