SOBRE SALAZAR
 "Força nacional é o que tem procurado ser o exército português, o regime que se convencionou chamar de salazarismo e cujo maior afã parece vir sendo , nos seus já mais de trinta anos, evitar até por métodos que nos repugnam, como a censura, à imprensa e outros policialismos, o despotismo de um subgrupo sobre os outros, dentro da comunidade portuguesa a cujo direto e exclusivo serviço se acham as Forças Armadas daquele Estado a seu modo corporativo.
A vário de nós, críticos ou observadores das atualidades políticas e sociais – as destes dramáticos anos que vem vivendo o mundo desde o fim da Primeira Grande Guerra –, já parece às vezes fora de tempo e até arcaicamente medieval a solução portuguesa a que se acha ligado o nome do professor Oliveira Salazar. Com o fracasso, porém, de soluções radicais, em seu modernismo messianismo sociológico, como a russa, a italiana, a alemã, a própria solução inglesa sob o regime trabalhista, a solução portuguesa, com todas as suas imperfeições, algumas imensas, com todos os seus regressos a um medievalismo em grande parte, mas não de todo, esgotado como fonte de sugestões sociais, parece a alguns de nós, sob certos aspectos, capaz de tornar-se solução susceptível, depois de vigorosamente desbastada de seus medievalismo mais hirtos e de seu policialismo mais cru, de corresponder a necessidades de reorganização de alguns povos semelhantes ao português; capaz de expandir-se experimental e pacificamente em método – simplesmente em método – de algumas das atuais democracias apenas políticas do ocidente se alargarem em democracias econômicas, sociais, culturais, com pequeno sacrifício de alguns de seus adiantamentos políticos sob forma de ritos ou expressões eleitorais.(...)"
Trecho inédito, sem data de
conferência proferida
provavelmente nos anos 60.
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