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VIAGEM EM TORNO DE GILBERTO FREYRE
Por Edson Nery da Fonseca
A publicação, em dezembro de 1933, do livro Casa-Grande & Senzala abriu, como assinalou José Honório Rodrigues, "um caminho novo na historiografia". Porque até então a história da maioria dos povos limitava-se a episódios grandiosos: era um registro cronológico de guerras e coroações, de atos de heroísmo e rebeldia, ilustrado com monumentos, estátuas equestres e condecorações.
Com seus conhecimentos de ciências sociais - especialmente da antropologia e da sociologia - Gilberto Freyre voltou-se para os fatos miúdos, aparentemente insignificantes; utilizou pioneiramente a história oral, os documentos pessoais, manuscritos de arquivos públicos e privados; anúncios de jornais; com o pluralismo metodológico nele destacado por Jean Pouillon, uma imaginação de artista e um estilo de escritor nato, produziu uma obra fundadora, como a definiu Darcy Ribeiro, ao prefaciar a edição venezuelana de Casa-Grande & Senzala.
O enorme sucesso alcançado pela publicação desta obra pioneira levou muita gente a pensar que a trajetória intelectual de Gilberto Freyre começara em 1933. Na verdade, esta trajetória iniciou-se com as conferências e artigos de jornal que o tornaram admirado em todo o Nordeste do Brasil e mesmo no Sul do país, com a divulgação de alguns desses artigos na Revista do Brasil, por iniciativa de Monteiro Lobato.
Convidamos você a nos acompanhar nessa viagem pela vida e obra de Gilberto Freyre.
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